O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a enfrentar questionamentos sobre sua atuação nos bastidores da saúde pública durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. Uma reportagem da Agência Pública revelou indícios de influência política na administração de seis hospitais federais do Rio de Janeiro entre 2019 e 2022, período marcado pela pandemia de Covid-19.
Segundo a investigação, indicações para cargos de direção e contratos de serviços terceirizados estariam ligados a um grupo político que, de acordo com gestores e servidores entrevistados, tinha influência sobre as unidades. O levantamento também reuniu documentos oficiais que apontam problemas em licitações e possíveis sobrepreços em compras públicas.
Um dos dados mais graves aparece no relatório final da CPI da Covid. Cerca de 30% dos leitos clínicos e de UTI dos hospitais e institutos federais do Rio permaneceram fechados durante a pandemia, muitos por falta de profissionais de saúde. O cenário comprometia o atendimento justamente em um dos períodos de maior pressão sobre o sistema de saúde.
As auditorias também identificaram valores acima dos preços de mercado em processos de compra. Em uma licitação para aquisição de insumos destinados a cirurgias vasculares, no Hospital Federal dos Servidores, foram apontadas falhas na estimativa de preços que representavam aproximadamente R$ 69 milhões em valores superdimensionados. Em outra compra, de medicamentos para pacientes com câncer, a diferença identificada chegou a R$ 18,1 milhões.
No fim de agosto, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal que ampliasse uma investigação para apurar a possível participação de Flávio Bolsonaro nas irregularidades apontadas. O pedido cita auditorias de órgãos de controle e declarações feitas durante a CPI da Pandemia.
Flávio não ocupava cargo formal no governo federal naquele período. Procurado pela Agência Pública, o senador não respondeu aos pedidos de entrevista. Marcelo Lamberti, ex-gestor ligado à administração hospitalar, afirmou que os atos de sua gestão estão documentados nos sistemas oficiais e contestou as acusações que classificou como narrativas de opositores.
O caso voltou ao debate político após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordar o tema no debate presidencial da Band, realizado no domingo (18). Lula acusou o adversário de ter exercido influência sobre os hospitais federais durante o governo Bolsonaro. Flávio negou as acusações e classificou as declarações do presidente como mentiras.
