No depoimento, Dona Déa contou que Paulo Gustavo demonstrava preocupação com a doença e cobrava a chegada das vacinas. O ator morreu em 4 de maio de 2021, aos 42 anos, após mais de 50 dias internado em decorrência de complicações da Covid-19.
“Essa vacina deveria ter vindo antes, muito tempo antes”, afirmou a artista, ao recordar as conversas com o filho. Emocionada, ela lamentou que a imunização não tenha chegado a tempo de evitar a tragédia familiar.
Dona Déa também criticou a postura do então presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. Ao recordar declarações e episódios em que ele tratou a doença em tom de deboche, ela não escondeu a indignação.
“E o governo ria, o nosso presidente ria. Isso daí eu falo com ódio. Ele ria!”, declarou.
Recado direto a Flávio Bolsonaro
O vídeo também faz referência direta à disputa presidencial. Adversário de Lula no segundo turno, Flávio Bolsonaro foi criticado por Dona Déa, que associou o sobrenome da família ao risco de retorno à política adotada pelo governo anterior durante a pandemia.
“Flávio é retrocesso. Se eu olhar o sobrenome, me dá arrepio”, afirmou.
Ao final do depoimento, a mãe de Paulo Gustavo pediu que os eleitores compareçam às urnas e declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A gravação integra a estratégia da campanha petista para a reta final da disputa presidencial e retoma um dos episódios mais dolorosos da pandemia para questionar o legado da gestão Bolsonaro na área da saúde. O material foi divulgado nas redes sociais do presidente e deve ser utilizado também na propaganda eleitoral.
A morte de Paulo Gustavo provocou grande comoção nacional. A lembrança do ator, somada ao relato pessoal da mãe, recoloca a pandemia no debate eleitoral e evidencia como as decisões tomadas naquele período continuam presentes na memória de famílias que perderam pessoas queridas.
