O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, enfrenta questionamentos sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em uma investigação que apura possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a vida de seu pai, Jair Bolsonaro. O caso voltou ao centro do debate político durante a campanha eleitoral de 2026.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas e formação de organização criminosa relacionadas às movimentações financeiras do projeto. A investigação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a PF pediu mais prazo para concluir as apurações. Flávio ainda não foi condenado por esses fatos.
Financiamento do filme levanta questionamentos
O projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro entrou no radar das autoridades após a análise de mensagens e áudios relacionados a Daniel Vorcaro. De acordo com reportagens, o banqueiro teria se comprometido a investir cerca de R$ 134 milhões na produção, dos quais aproximadamente R$ 62 milhões teriam sido transferidos entre fevereiro e setembro de 2025.
Os investigadores procuram esclarecer a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e a participação de Flávio nas negociações. A apuração também busca verificar se as operações envolveram recursos ilícitos.
Em sabatina realizada pela TV Globo em 16 de outubro, Flávio negou irregularidades e afirmou que não houve nada de errado em solicitar recursos para o filme. A investigação, contudo, continua em andamento.
Caso das rachadinhas deixou perguntas em aberto
Antes do episódio envolvendo o Banco Master, Flávio já havia sido investigado por suspeitas de desvio de parte dos salários de assessores de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), prática conhecida como “rachadinha”.
Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia que atribuía ao então deputado a liderança de um esquema que teria desviado cerca de R$ 6 milhões. A investigação também examinou movimentações financeiras de ex-assessores, entre eles Fabrício Queiroz, e transações imobiliárias do senador.
O caso, porém, não resultou em condenação. Decisões judiciais anularam provas obtidas durante a investigação, e a apuração foi encerrada. Reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em março de 2026, destacou que questões sobre a origem de recursos em dinheiro vivo utilizados em despesas e na compra de imóveis permaneceram sem respostas conclusivas no âmbito daquele caso. Flávio sempre negou as acusações.
Investigações no centro da disputa eleitoral
Os dois episódios voltaram a ganhar relevância com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. No caso mais recente, a investigação sobre o financiamento de Dark Horse ainda depende da análise de documentos, mensagens e movimentações financeiras para esclarecer se houve crime.
A distinção é fundamental: ser investigado não significa ser culpado, assim como o encerramento do caso das rachadinhas, após a anulação das provas, não equivale a uma condenação do senador.
As apurações, no entanto, colocam sob escrutínio público a relação do candidato com empresários e a origem dos recursos envolvidos em seus projetos. São questões que exigem respostas documentadas e esclarecimentos objetivos, especialmente diante da pretensão de ocupar a Presidência da República.
