Investigada no âmbito das apurações sobre fraudes no INSS, a empresária afirmou que pretende firmar um acordo de delação premiada e declarou que não pretende poupar ninguém. Apesar das afirmações contundentes, suas respostas nem sempre avançaram na explicação dos fatos apresentados pelos jornalistas.
Questionada sobre a relação entre seu cliente, Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Roberta afirmou que apresentou os dois em um contexto social. Disse, porém, que não poderia informar se, depois disso, eles estabeleceram negócios entre si.
Em outro momento, ao ser questionada sobre a expressão “filho do rapaz”, citada em mensagens atribuídas a Antônio Camilo, a empresária argumentou que a conversa não havia sido enviada a ela e que, por isso, não poderia afirmar a quem a referência dizia respeito. A resposta deixou a interpretação do conteúdo para o trabalho da Polícia Federal.
A entrevista também trouxe questionamentos sobre os supostos pedidos de ajuda feitos por integrantes do governo para facilitar contatos e agendas. Roberta afirmou que ministros a procuravam, inclusive para pedir favores, mas, diante das perguntas sobre quem seriam essas pessoas e quais situações estavam envolvidas, direcionou a responsabilidade pelas explicações aos próprios ministros.
O resultado foi uma entrevista marcada por declarações fortes, acusações e referências a informações que, segundo a própria empresária, ainda precisam ser esclarecidas. Em vez de apresentar detalhes verificáveis para sustentar todos os pontos levantados, Roberta recorreu em diferentes momentos ao argumento de que não sabia, não se lembrava ou não poderia responder pelo que outras pessoas fizeram.
Isso não significa, por si só, que as acusações sejam falsas ou verdadeiras. Significa que as declarações feitas publicamente ainda precisam ser confrontadas com documentos, mensagens e depoimentos no curso das investigações.
Roberta nega ter participado de um esquema de fraudes no INSS e afirma que colaborará com a Justiça. A Polícia Federal investiga as relações entre os envolvidos, e a apuração dos fatos deverá esclarecer quais suspeitas encontram respaldo nas provas.
