O mais belo, rico e preservado sítio histórico de Alagoas é palco e inspiração para mais uma edição da Festa Literária de Penedo. O segundo dia da FliPenedo movimentou espaços entre o Theatro Sete de Setembro e a Sociedade de Cultura e Arte Popular de Penedo, com oficinas e contação de histórias, reunindo alunos da rede pública, além de entusiastas da poesia e da escrita.
Durante o turno da manhã, na biblioteca e no auditório da Sociedade de Cultura e Arte Popular de Penedo – onde també funciona o Laboratório OxeTech – duas oficinas literárias ocorreram simultaneamente.
No térreo, alunos e alunas da Escola Estadual Alcides Andrade acompanharam atentamente a oficina ministrada pelo escritor e curador da FliPenedo, Maurício Melo, com o tema: Boas Maneiras para Começar um Romance – A Importância do Início de um Livro.
Já no primeiro andar, estudantes da mesma escola ocuparam as cadeiras do auditório para participar da oficina do influenciador literário Diego Vinicius, que possui mais de 1,3 milhão de seguidores apenas no Instagram.
Ainda nesta quinta-feira, 09, acontecem as seguintes oficinas:
14h-16h – Oficina “Corpo-escrita: Escrevendo Memórias, Afetos e Rupturas” com Kika Sena na Biblioteca da Sociedade de Cultura e Arte de Penedo. Esta oficina também ocorrerá na sexta-feira, 10, no mesmo local e horário.
14h-16h – Oficina “Criação Literária” com Kleber Messias, na Biblioteca da Sociedade de Cultura e Arte de Penedo.
Na sexta-feira, 10, Maurício e Diego retomam os trabalhos com novas turmas.
08h-10h: Oficina Literária “Transformando sentimentos em arte” com Diego Vinicius, na Biblioteca da Sociedade de Cultura e Arte de Penedo.
08h-10h: Oficina “Boas Maneiras para Começar um Romance” com Maurício Melo, na Biblioteca da Sociedade de Cultura e Arte de Penedo.
ENTREVISTA
Graduado em História, o escrito sergipano que também participou da abertura oficial da 5ª FliPenedo concedeu entrevista para a Secretaria de Conunicação da Prefeitura de Penedo antes de apresentar o tema Transformando Sentimentos em Arte.
Secom – Essa é a primeira vez que você participa da FliPenedo. Como você vê eventos deste tipo?
Diego Vinicius – Vejo este convite para vir a Penedo com muita alegria e gratidão. Estou encantado com toda a estrutura e organização. Já deixo meus parabéns à equipe que me recebeu com tanto carinho. Festas como essa são muito importantes, não só para valorizar a cultura local, mas também para mostrar para o país inteiro o quanto a leitura e a literatura são essenciais, reforçando e perpetuando o gosto pelos livros. Sabemos que o país está passando por um momento difícil, muitos jovens não gostam de escrever nem de ler, tudo é muito dinâmico e virtual. Por isso, esse incentivo aos livros, aos poetas e aos artistas é fundamental para despertar esse interesse.
Secom – Você é um jovem que ultrapassou a marca de 1,3 milhão de seguidores no Instagram. Seu perfil alcança diversos públicos, principalmente os jovens, com textos sobre sentimentos cotidianos, fé, superação e reflexões sobre relacionamentos. Foi difícil competir com conteúdos superficiais? E quando tudo começou?
Diego Vinicius – Meu trabalho nas redes sociais começou há 11 anos. A quantidade de seguidores me surpreendeu, porque sempre soube que seria difícil competir a poesia com conteúdos superficiais que dominam as redes sociais, como danças e humor exagerado. Ainda assim, alcançar esse público é importante para despertar o interesse dessas pessoas pela escrita, incentivando-as a desenvolver o hábito de ler, escrever e até se tornarem escritores.
Secom – As redes sociais ajudam a dar visibilidade aos novos escritores?
Diego Vinicius – Essa nova safra de escritores que surgiu na última década encontrou nas redes sociais um espaço importante para divulgar seus trabalhos. Embora haja muito conteúdo fútil, não se trata de uma competição. As pessoas podem escolher consumir conteúdos de qualidade que agreguem algo às suas vidas. Quando mais pessoas passam a produzir esse tipo de conteúdo, o próprio algoritmo reconhece esse movimento e amplia o alcance, fazendo com que mais pessoas conheçam o trabalho literário.
Secom – Para divulgar seus trabalhos, você utiliza vídeos curtos, de 15 a 25 segundos, além de poesias breves. Essa estratégia ajudou a conquistar seu público?
Diego Vinicius – Sim. Trabalhamos com mensagens curtas, mas intensas, que atraem as pessoas e as incentivam a buscar os livros. Isso acaba contribuindo para o surgimento de novos escritores, mostrando que, apesar das dificuldades, a escrita também pode se tornar uma atividade rentável com esforço e dedicação.
Secom – Você é formado em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), já atuou como professor e hoje está fora da sala de aula. Mesmo com sua grande quantidade de seguidores, já consegue sobreviver como escritor?
Diego Vinicius – Já atuei como professor durante cinco anos em Aracaju, mas atualmente estou fora da sala de aula. Ainda tenho vontade de voltar, pois a educação é essencial para incentivar os jovens à leitura e à escrita. Hoje trabalho como consultor na área de vendas, mas tenho o objetivo de, futuramente, viver exclusivamente da escrita. Conseguir um bom contrato com uma grande editora é importante, e aos poucos os escritores da internet têm alcançado esse espaço. Sei que um dia vai chegar, por mais que seja difícil, sou paciente, com calma e um dia de cada vez, vamos chegar lá. Sempre viver um dia de cada vez!!
Contação de histórias
Durante a manhã, também houve contação de histórias no Theatro Sete de Setembro. O espaço foi totalmente ocupado por crianças da rede pública de ensino, das escolas municipais Santa Luzia, Santo Antônio, Isabel Cristina, Cândido Toledo, Manoel Tavares e Josef Bergman.
A animação ficou por conta da Cia Literando e da Arte’Ar Produções. Todo o evento contou ainda com tradução simultânea em Libras, acessibilidade presente na programação da FliPenedo.
Por Secom PMP
Texto e fotos: Roberto Miranda – Jornalista Secom/PMP




