Provas trazidas pelo candidato a deputado federal mostram negociação conduzida pelo então presidente do IPREV e trazem o nome do ex-prefeito JHC como responsável pelo ente no Ministério da Previdência
O candidato a deputado federal Rui Palmeira (PSD) apresentou, nesta quinta-feira (20), novos documentos relacionados ao investimento de R$ 117 milhões do IPREV Maceió em letras podres do Banco Master. Segundo as provas apresentadas por Rui, os registros mostram a participação ativa do então presidente do instituto e homem de confiança do ex-prefeito JHC, Ronnie Mota, na condução da negociação e trazem novos elementos sobre a responsabilidade pela gestão previdenciária do município.
Entre os documentos apresentados estão trocas de e-mails iniciadas em 2 de maio de 2024 entre Ronnie Mota, a então chefe de gabinete Francy Sobreiro e uma representante do Banco Master. A negociação foi rapidamente finalizada, em sete dias, no dia 9 de maio de 2024.
De acordo com a documentação apresentada por Rui, no mesmo dia, Ronnie Mota elaborou e assinou uma nota técnica sobre a operação, sem uma análise de risco detalhada, sem consulta aos técnicos da pasta ou à consultoria já contratada pelo instituto para avaliar futuros investimentos. Na nota, o então presidente sustentou que o Banco Master não apresentava risco e autorizou o aporte de R$ 117 milhões dos recursos dos aposentados de Maceió.
Um despacho anexado ao processo determinou que o montante financeiro da operação fosse imediatamente transferido para a conta de titularidade do IPREV mantida junto ao Banco Master.
Relação de confiança
Rui também destacou outros episódios envolvendo Ronnie Mota e JHC. O ex-presidente do IPREV responde a um processo relacionado a um suposto desvio de R$ 3 milhões em emendas destinadas à Arquidiocese de Maceió, dos quais R$ 1,7 milhão teria sido enviado por JHC entre 2018 e 2020, período em que ele exercia o mandato de deputado federal.
Ronnie também atuou na campanha de JHC em 2020 e, posteriormente, foi indicado pelo então prefeito para coordenar o núcleo responsável pelas tratativas que resultaram no acordo de quase R$ 2 bilhões firmado entre a Prefeitura de Maceió e a Braskem.
Ele estava à frente do IPREV no período dos investimentos de R$ 117 milhões no Banco Master e de R$ 51 milhões no fundo imobiliário Nest Eagle.
Ronnie Mota também foi alvo de mandado de busca e apreensão em operação da Polícia Federal e teve bens bloqueados por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Para Rui Palmeira, a atuação de Ronnie Mota precisa ser analisada também a partir da relação de confiança que ele mantinha com JHC.
“Ao que parece, Ronnie era o homem de confiança do ex-prefeito JHC quando o assunto envolvia milhões. É difícil acreditar que ele faria tudo isso sozinho, sem seguir qualquer indicação da política de investimentos do gestor municipal”, afirmou Rui.
Documento do Ministério da Previdência
Rui trouxe ainda um segundo conjunto de documentos. Em 16 de dezembro de 2025, após a liquidação do Banco Master, ocorrida no mês anterior, um dos controladores do IPREV cobrou esclarecimentos sobre a condução do processo de investimento.
Diante da possibilidade expressa de perda dos recursos, o controlador solicitou um ajuste para perdas estimadas e cobrou a análise de risco não feita anteriormente.
Nesse mesmo processo, foi anexado um extrato oficial do Ministério da Previdência no qual aparecem registrados os investimentos do IPREV no Banco Master e no fundo imobiliário Nest Eagle. Segundo o documento apresentado por Rui, o responsável pelo ente, de acordo com o órgão, é o próprio ex-prefeito JHC.
Para o vereador e candidato a deputado federal, os novos documentos reforçam a necessidade de esclarecer toda a cadeia de decisões que resultou na aplicação de R$ 117 milhões dos recursos previdenciários dos servidores municipais no Banco Master.
