A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Alienação Simulada, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso especializado em fraudes na obtenção de financiamentos de veículos por meio do uso indevido de dados de terceiros.
Ao todo, estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 13ª Vara da Justiça Federal em Alagoas, em endereços residenciais localizados na cidade de Maceió.
Investigação
As investigações tiveram início após a própria instituição financeira lesada comunicar irregularidades relacionadas a financiamentos de veículos. A partir das apurações, a Polícia Federal identificou a atuação de uma associação criminosa estruturada, voltada a lesar o Sistema Financeiro Nacional por meio do crime popularmente conhecido como “Golpe do Finan”.
De acordo com a PF, o esquema consistia na obtenção de veículos por meio de financiamentos fraudulentos, muitas vezes sem entrada e em nome de terceiros que desconheciam completamente as transações. Após a liberação do crédito, os veículos eram rapidamente revendidos no mercado clandestino por valores abaixo da tabela, passando a circular de forma irregular, prática conhecida como “veículos de estouro”. As parcelas dos financiamentos jamais eram quitadas, o que impedia a recuperação dos bens e consolidava o prejuízo à instituição financeira.
Modus operandi
As investigações apontam que o grupo contava com a participação direta de um funcionário da própria instituição financeira, que, na condição de correspondente bancário, utilizava seu acesso privilegiado aos sistemas internos para aprovar créditos fraudulentos em nome das vítimas.
Paralelamente, integrantes externos da organização eram responsáveis por falsificar documentos, criar e-mails em nome das vítimas e utilizar telefones pessoais para realizar as assinaturas eletrônicas dos contratos. Após a aprovação dos financiamentos, os envolvidos se dirigiam às revendedoras para retirar os veículos, que posteriormente eram repassados a receptadores.
Crimes investigados
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de obtenção de financiamento mediante fraude (crime contra o Sistema Financeiro Nacional), associação criminosa, estelionato e receptação. Somadas, as penas máximas previstas para esses delitos podem ultrapassar 15 anos de reclusão.
A Polícia Federal segue com as investigações para identificar outros envolvidos e dimensionar o prejuízo causado pelo esquema criminoso.
