O processo para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil está passando por uma das maiores transformações das últimas décadas. A partir de mudanças conduzidas pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, o custo do documento caiu cerca de 67%, abrindo caminho para que milhões de brasileiros, especialmente de baixa renda, tenham acesso à habilitação legal.
Durante muitos anos, tirar a CNH significou enfrentar valores elevados e uma burocracia incompatível com a realidade financeira da maior parte da população. Em Alagoas, por exemplo, o custo médio para uma única categoria girava em torno de R$ 2.250, podendo ultrapassar R$ 3 mil quando somadas taxas, exames e aulas práticas. Esse modelo acabou empurrando uma parcela significativa da população para a irregularidade, fazendo com que dirigir sem habilitação se tornasse consequência da exclusão econômica.
A reformulação começou a ser implementada com um novo desenho nacional do processo de habilitação. Entre as principais mudanças estão a oferta do curso teórico de forma gratuita e online, a redução da quantidade de exames exigidos e a flexibilização dos pacotes de aulas práticas, permitindo que o candidato contrate apenas o necessário. A proposta foi diminuir custos sem comprometer a segurança e a formação dos condutores.
Com as alterações, os valores foram drasticamente reduzidos. Atualmente, as taxas cobradas pelo Detran para as categorias A e B somam R$ 428,75. Os exames médico e psicológico custam cerca de R$ 180, enquanto os pacotes de aulas práticas ficam, em média, em R$ 400. Com isso, o custo final da CNH caiu para aproximadamente R$ 1.008,75, o que representa uma redução de cerca de 67,5% em relação ao modelo anterior.
Para quem se enquadra em programas sociais, o impacto é ainda mais expressivo. Na CNH do Trabalhador e na modalidade Baixa Renda, o Estado assume integralmente as taxas do Detran e os exames médicos e psicológicos. Nessas situações, o candidato precisa apenas ser aprovado nas provas, podendo optar por aulas práticas se julgar necessário. Com pacotes acessíveis, o valor pode ficar abaixo de R$ 600, e no caso da CNH do Trabalhador, o processo é totalmente gratuito.
Os dados revelam a dimensão da mudança. No Brasil, estima-se que mais de 20 milhões de pessoas dirijam sem habilitação. Em Alagoas, esse número chega a cerca de 200 mil. A alta procura pelo programa CNH do Trabalhador, que registrou mais de 103 mil inscrições, evidenciou uma demanda reprimida e confirmou que o principal entrave sempre foi o preço.
Com o novo modelo, a habilitação deixa de ser um obstáculo financeiro e passa a cumprir um papel social mais amplo. A redução dos custos amplia o acesso ao emprego, à mobilidade e à cidadania, transformando a CNH em um instrumento de inclusão e não mais em um privilégio restrito a poucos.
